Chegou o momento onde desisti. Abandonei a fazenda e parti para a vida movimentada da cidade. Parei definitivamente de plantar. Comprava tudo o que precisava nas prateleiras noturnas de mercados movimentados. Inclusive, achei um modelo genérico de carinho que pode até funcionar por certo tempo. Mas claro, é industrializado e, por isso, o gosto é bem mais leve e pouco envolvente. Passa logo.
Por sorte, enquanto teimava em plantar, não sofri o problema comum dos agricultores deste país. Por muita sorte mantive-me longe dos bancos. Não empenhei meu nome portanto, e, assim, estive livre para a sacada.
Nunca falei da sacada. Este é um lugar que invariavelmente se repete pela minha vida, sempre chegando em horas mais precisas de mudança. Por certo não é sempre igual, nem tem a mesma altura. A única semelhança é a proximidade que me deixa de Sua Majestade Prateada.
De novo, olhando para ela, percebi os ciclos que vivo junto com este mundo e o universo de causa e efeito em que me envolvo inclusive durante o sono. Daí, o quão inútil era minha crença de que a colheita se fazia por ela mesma, independente da intenção, da minha intenção, enquanto plantava.
Abaixei os olhos e me recolhi. Voltei à fazenda.Estava lá, boquiaberto em perceber como o terreno havia se regenerado, sozinho, independente de mim. O tempo em que o deixei fez-lhe bem.
Enquanto o contemplava, caiu-me aos pés uma semente. Olhei-a. Era um pouco pálida, embora se percebesse algo diferente nela. Desta vez não a joguei. Depositei-a com cuidado, revolvendo a terra e cobrindo-a para que não esfriasse.
Espantei-me com o resultado, quase que imediato. Cresceu rápido, violácea e verde, e eu colhi a maior safra de fartos sorrisos que já vira. E, ainda, eles eram deliciosos.
Copyright © 2009 Lawrence Wengerkiewicz Bordignon
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